terça-feira, 20 de outubro de 2009

quinta-feira, 15 de outubro de 2009


Como começar uma dieta vegetariana
Todavia, o melhor plano a ser seguido é fazer uma adaptação gradual para uma dieta vegetariana, e não mudar tudo de uma só vez. Dessa forma, permite-se ao organismo que tenha o tempo necessário para ajustar ao novo programa alimentar. O estômago precisa de tempo para se habituar a digerir um maior volume de alimentos, comece tomando o desjejum a única refeição exclusivamente vegetariana.Então, alguns meses depois, faça o mesmo com o almoço, uma vez por semana. Um mês depois, aumente a freqüência das refeições vegetarianas. Em sete meses, todas as suas refeições do desjejum e almoço terão se tornado vegetarianas.
Proceda da mesma maneira com relação ao jantar. Esse período de tempo é necessário para que o seu organismo se ajuste perfeitamente.Provavelmente a pessoa não perderá muito peso se fizer a mudança gradual para um regime vegetariano. Entretanto, se tornará apta para ingerir maior quantidade de vegetais sem qualquer desconforto ou sem ter de fazer grande esforço para isso.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Razões para o praticante de Yoga se tornar Vegetariano

O vegetarianismo tem sido adotado maciçamente pelos praticantes de Yoga desde milênios atrás, por três motivos:
1) o dharma e a ética ambiental,
2) a saúde e
3) o progresso espiritual.
Em relação ao primeiro ponto, vale lembrar: considera-se comer carne um crime contra a lei universal, porque isso significa participar, mesmo que indiretamente, em atos de crueldade e violência contra o reino animal, mas também contra o meio ambiente, quando somos coniventes com a destruição das florestas para fazer pasto para engordar o gado. Se uma parte da extensão de terra fértil usada atualmente para criar gado fosse utilizada para plantar cereais, o problema da fome no mundo acabaria imediatamente. Em relação à questão da saúde, está mais do que claro que uma dieta rica em carnes é diretamente responsável por uma interminável série de problemas de saúde, que vão desde a prisão de ventre até o câncer de cólon, desde o mal de Parkinson até o mal da vaca louca, desde a halitose até problemas cardíacos como o enfarte, que, aliás, é a principal causa de mortes no mundo. Se continuarmos de olhos fechados para essas constatações gritantes, continuaremos vivendo mal e morrendo cedo. Uruguai, por exemplo, país onde o consumo de carne vermelha é maciço, é recordista planetário em mortes por câncer de cólon (em números relativos à população). Em relação ao último ponto, o progresso espiritual, devo dizer que nem todas as tradições espirituais do Oriente abraçaram o vegetarianismo. O budismo tibetano, por exemplo, não menciona o assunto. Isso acontece por dois motivos. Por um lado, o Tibet é um país íngreme, alto e muito frio, onde não é possível para a maioria da população seguir uma dieta vegetariana. Por outro lado, Buda não quis colocar nenhuma restrição a seus monges em relação à alimentação para evitar que eles se apegassem a uma dieta ou deixassem de aceitar o alimento que lhes era dado como esmola. De fato, o próprio Buda morreu em decorrência de uma intoxicação que adquiriu num jantar onde lhe foi servido porco, que ele não rejeitou pela questão do desapego mencionada acima. Não obstante esses dois motivos, e outros que poderíamos mencionar, o Dalai Lama recomenda aos seguidores do budismo tibetano a dieta vegetariana. Excetuando-se o budismo, todas as demais tradições ascéticas da Índia são taxativas em relação à dieta vegetariana: hindus, jainistas e parses aderem desde tempos imemoriais ao vegetarianismo como meio para purificarem não apenas seus corpos mas igualmente suas mentes e corações. Para o yogi consciente, devorar a carne de animais mortos é um ato de barbárie que carrega consigo conseqüências kármicas muito indesejáveis. Considera-se como regra que, se o alimento foge de você quando você estende sua mão para pegá-lo, você não deve comê-lo. Se estender minha mão para pegar um frango com a intenção de matá-lo para comer, é natural que ele fuja para proteger sua vida. Até mesmo animais com limitações de locomoção como as ostras fugiriam de você se tivessem pernas e sentissem que você está atrás delas para comê-las! Por outro lado, o reino vegetal parece dar seus alimentos sem demasiado sofrimento. Se estender minha mão em direção a um cajueiro para pegar seus frutos, este generosamente permite que me alimente com eles. A árvore não sofre, o alimento é bom e eu tenho direito de me beneficiar dele. Por causa disso, considera-se que a dieta vegetariana esteja em harmonia com o dharma.
A palavra dharma significa “aquilo que mantém unido”, e refere-se não somente às leis naturais, mas igualmente à Força Consciente de coesão e harmonia que gera e mantém o universo. Tudo é harmonia no universo. “Como pode praticar a verdadeira compaixão aquele que come a carne de um animal para engordar sua própria carne? Maior do que mil oferendas de ghi no fogo sagrado é não sacrificar nem consumir nenhuma criatura viva.”
Fonte: http://www.yoga.pro.br/Vegetarianismo e Yoga Pedro Kupfer
PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE VEGETARIANISMO


1) Se animais matam outros animais para se alimentar, porque deveríamos agir de forma diferente?
R - Os animais que matam para se alimentar não poderiam sobreviver se agissem de outra forma. Este não é o nosso caso. Nós, humanos, na verdade nos tornamos mais saudáveis quando adotamos uma dieta vegetariana. Além disso, se nós não costumamos nos comportar como animais, por que deveríamos abrir uma exceção para este caso?
2) Os seres humanos não têm que comer carne para permanecer saudáveis?
R - O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e a Associação Dietética Americana, dois órgãos que são referência mundial em questões alimentares, endossaram dietas vegetarianas. Pesquisas demonstraram também que vegetarianos possuem sistemas imunológicos mais fortes, e que os consumidores de carne têm duas vezes mais chances de morrer de doenças cardíacas e probabilidades 60% maiores de morrer de câncer. O consumo de carne, leite e seus derivados tem sido ainda relacionado a diversas outras doenças, como diabetes, artrite e osteoporose.
3) Os vegetarianos ingerem proteína suficiente?
R - Em boa parte dos casos, o problema é ingerir proteína em demasia, não em quantidade insuficiente. Muitos dos que consomem produtos de origem animal ingerem três ou quatro vezes mais proteínas do que necessitam. Há uma enorme variedade de alimentos vegetarianos ricos em proteínas, como massas, pães, feijões, ervilhas, milho e até mesmo cogumelos. Quase todos os alimentos contêm proteína. É quase impossível não obter proteína suficiente em uma dieta que possua a quantidade de calorias adequada, mesmo que não se faça uma escolha mais cuidadosa dos alimentos. Por outro lado, proteína em demasia é uma das principais causas conhecidas de osteoporose e doenças renais.
4) Comer carne é natural. Tem sido assim por milhares de anos. Nós evoluímos desta maneira.
R - Na verdade, nós não evoluímos para comer carne. Animais carnívoros possuem dentes caninos pontiagudos, garras e um trato digestivo curto. Os seres humanos, em seu atual estágio de evolução, não apresentam garras nem caninos desenvolvidos. Temos molares lisos e um trato digestivo longo, muito mais adequado a uma dieta de vegetais, grãos e frutas. Comer carne é perigoso para nossa saúde; contribui para o aparecimento de doenças cardíacas, câncer e uma infinidade de outras doenças.
5) Se todos passassem a comer apenas alimentos de origem vegetal, haveria bastante comida para todos?
R - Boa parte da safra mundial de grãos é na verdade destinada a alimentar o gado. Desta forma, se todos se tornassem vegetarianos, haveria muito maior abundância de alimentos. Nos Estados Unidos, por exemplo, 80% do milho produzido são usados na alimentação dos animais criados para consumo. Em todo o mundo, o gado consome uma quantidade de alimento equivalente às necessidades calóricas de 8,7 bilhões de pessoas - mais do que toda a população humana do planeta.
6) Os fazendeiros tratam seus animais muito bem, ou eles não produziriam tanto leite e ovos.
R - Os animais nas fazendas não ganham peso, produzem leite e colocam ovos porque se sentem confortáveis, contentes, ou são bem tratados, mas, na verdade, porque foram manipulados especialmente para fazer estas coisas, com drogas, hormônios e técnicas de criação e seleção genética. Além disso, os animais criados para produção de alimentos, mesmo vacas leiteiras e galinhas poedeiras, hoje são abatidos em idade extremamente jovem, antes que as doenças e a miséria os dizimem. É mais lucrativo para os fazendeiros absorver as perdas ocasionadas por mortes e doenças do que manter os animais em condições humanitárias.
6) Vegetarianismo é uma questão de escolha pessoal. Não tente forçar os outros a fazer esta escolha.
R - De um ponto de vista moral, as ações que prejudicam outros não são questões de escolha pessoal. O assassinato, o estupro, o abuso de crianças e a crueldade para com os animais são atitudes imorais. Nossa sociedade incentiva hoje o hábito de comer carne e a crueldade nas unidades de criação de animais, mas a história nos ensina que esta mesma sociedade um dia encorajou a escravidão, o trabalho infantil e muitas outras práticas agora universalmente reconhecidas como imorais.
7) Eu conheço um vegetariano que não é saudável.
R - Há, claro, vegetarianos que não são saudáveis. Assim como há comedores de carne na mesma situação. Mas o fato é que as pesquisam comprovam que dietas vegetarianas bem variadas e de baixo teor de gordura criam melhores condições para uma vida mais longa e saudável.
8) Eu não matei o animal.
R - Não, mas financiou sua morte, tornando-se responsável direto por ela. Sempre que você compra carne, assina um atestado de culpa: a morte daquele animal foi para seu usufruto e você pagou por ela.
9) Quem pratica exercício duas ou três vezes por semana pode adotar a dieta vegetariana sem prejuízos? Quais os cuidados que a pessoa deve adotar?
R - Sim, desde que planeje refeições que forneçam calorias adequadas para suprir suas necessidades energéticas e faça no mínimo seis refeições por dia. É importante também que as quantidades sejam moderadas. Para praticantes de atividade física é importante ter uma refeição equilibrada. Os carboidratos (pães, cereais, arroz, macarrão, batata, etc), são utilizados preferencialmente como fonte de energia, além da proteína (agora de grãos integrais, soja, ovo, leite e derivados) tendo sua participação mais discreta, porém importante. Para a recuperação a alimentação pós atividade deve conter pelo menos uma fonte de cada destes nutrientes. As vitaminas e minerais (frutas, hortaliças e alimentos integrais) também são importantes por participarem de todas as reações orgânicas, além de atuarem como antioxidantes.
10) E os atletas, podem ser vegetarianos sem prejuízo?
R - Sim, porém o atleta vegetariano perde peso com facilidade. Para manter o equilíbrio energético, é necessário um bom planejamento alimentar e fazer seis ou mais refeições por dia em quantidades moderadas. Se a alimentação não inclui leite e derivados ou ovos, é importante formar diferentes combinações de alimentos, incluindo maior quantidade de grãos integrais, principalmente a soja.
PRECONCEITOS E REALIDADES DO VEGETARIANISMO


Preconceito: Os vegetarianos não consomem proteínas suficientes.
Realidade: Os vegetarianos consomem proteínas suficientes, sim. O que os vegetarianos não consomem são proteínas em excesso.
Preconceito: Os vegetarianos(em especial os vegans) não consomem cálcio suficiente.
Realidade: Os vegetarianos e vegans consomem cálcio suficiente porque absorvem melhor o cálcio dos alimentos. Nas dietas convencionais, os excessos de proteínas dificultam a boa absorção de cálcio.
Preconceito: Os vegetarianos comem aves e peixes.
Realidade: Não comem. Para muitas pessoas que estão trabalhando no sentido de se tornarem vegetarianas, aves, peixes, ovo s e laticínios podem ser alimentos de transição, mas não são alimentos vegetarianos. Ser um vegetariano significa, no mínimo, não comer nenhum tipo de carne.
Preconceito: Todos os vegetarianos são ativistas ecológicos ou de proteção aos animais.
Realidade: A maioria das pessoas que se tornam vegetarianas são unicamente por motivos de saúde. O segundo motivo mais comum é o respeito aos animais. Não são todos os vegetarianos que assumem uma postura ativa contra as crueldades cometidas contra os animais, mas a dieta vegetariana em si mesma já é um enorme ato de compaixão para com eles.
Preconceito: Vegetarianismo é coisa de mulher.
Realidade: De fato, há mais mulheres do que homens vegetarianos. Mas isso acontece porque, numa sociedade machista, comer carne muitas vezes é um símbolo de masculinidade e virilidade. Valores como a não-violência e a compaixão são percebidos como símbolos de feminilidade, e são depreciados ou temidos pelos homens, numa sociedade machista.
Preconceito: Os vegetarianos são esquerdistas.
Realidade: Há vegetarianos em todas as correntes políticas, filosóficas e religiosas, sendo correto dizer que existe uma tendência mais reformista do que conservadora entre eles.
Preconceito: É um desastre convidar um vegetariano para jantar fora porque ele é muito complicado.
Realidade: É claro que não vai dar certo convidar um vegetariano para um lanche no McDonald’s(o melhor é boicotar o McDonald´s) ou um churrasco, mas almoçar ou jantar com um vegetariano não representa o menor problema. Em muitos restaurantes há pratos que um vegetariano comeria. Na maioria das culturas há sempre pratos feitos exclusivamente com produtos vegetais.
Preconceito: Os vegetarianos adoecem mais facilmente.
Realidade: Assim como qualquer pessoa que tem uma dieta comum, há vegetarianos que adoecem facilmente e outros que nunca ou quase nunca adoecem. O que ocorre é que os vegetarianos são normalmente muito menos propensos a ataques do coração, câncer de mama, osteoporose e outras doenças relacionadas com excesso de consumo de proteínas e gorduras saturadas.
POR QUE SOU VEGETARIANA
"A escravidão animal deveria ser enterrada, juntamente com a humana, no cemitério do passado"
"Minhas razões para ser vegetariano são muito simples:
Os animais têm capacidade de sofrer.
Quando são criados para nos fornecer carne, eles sofrem de muitas e desnecessárias maneiras.
Nós não precisamos comer carne. Qualquer que tenha sido a situação no passado, nos primórdios da evolução humana, hoje as pessoas de classe média dos países desenvolvidos têm uma gama enorme de alimentos nutritivos a sua disposição. Uma dieta vegetariana não impede o acesso a proteínas e outros nutrientes essenciais. Comemos carne porque apreciamos o sabor, não porque ela seja necessária a nossa saúde.
O desejo de saborear a carne dos animais não justifica fazê-los sofrer.
Portanto, não deveríamos comer animais que sofrem só para isso – para nos fornecer sua carne.
O sofrimento a que me refiro não ocorre apenas nos matadouros. Muitas pessoas ainda não sabem como funcionam as modernas fazendas industriais. Nelas, a mecanização e os métodos de negócios corporativos são aplicados de acordo com o princípio de que os animais são objetos a ser consumidos. Para baratearem o custo, os produtores confinam e amontoam os animais de maneira tal que os condenam a passar a vida inteira em condições horríveis.
Tudo isso acontece por um equívoco ético fundamental. Os racistas pensavam que um ser humano que não pertencesse a sua raça se situava fora da esfera da ética. Podia, portanto, ser capturado e vendido como escravo. Não acreditamos mais que as fronteiras raciais demarquem os limites para além dos quais os seres humanos se transformem em objetos para nosso uso. Mas ainda achamos que os seres que estão fora das fronteiras de nossa espécie não passam de coisas úteis. Não há base moral para essa crença. A escravidão animal deveria ser enterrada, juntamente com a escravidão humana, no cemitério do passado."
Peter Singer Filósofo australiano, professor de bioética na Universidade Princeton. Seu livro Libertação Animal é um libelo do movimento de proteção aos animais
Iniciação ao Vegetarianismo
Mas, afinal, o que comem os vegetarianos?
Os vegetarianos comem alimentos tão comuns e “tradicionais”, como:
• legumes e hortaliças: couve, brócolos, alface, espinafre, etc.
• cereais: arroz, trigo (usado no pão), etc.
• frutas: laranja, maçã, pêra, banana, kiwi, etc.
• leguminosas: feijões, grão-de-bico, ervilhas, lentilhas, etc.
• frutos secos: passas, sultanas, figos secos, etc.
• frutos oleoginosos: nozes, amêndoas, amendoins, etc.
Terei que incluir novos alimentos na minha dieta?
Não necessariamente. Para iniciados nas dietas vegetarianas, a descoberta de alimentos vegetarianos menos conhecidos poderá parecer um pouco confusa. É importante salientar que os alimentos acima referidos são suficientes para compor uma dieta integralmente vegetariana completa e variada. No entanto, se quiser enriquecer mais e tornar ainda mais variada a sua dieta vegetariana nesta mudança alimentar, é importante saber um pouco mais sobre alimentos vegetarianos que podem ser novos para si e que poderá vir a apreciar muito:
Soja
A soja é uma leguminosa muito rica em proteínas.
Leite de soja
O leite de soja é uma bebida feita a partir do feijão de soja. É uma óptima alternativa ao leite de vaca e uma boa fonte de proteínas. É de fácil digestão, não contém colesterol e tem menos gordura do que o leite de vaca, sendo por isso mais saudável. Pode ser consumido puro ou de forma aromatizada, com chocolate, baunilha, morango, frutos silvestres, etc. Tem um baixo teor em açúcares e não possui qualquer vestígio de lactose. É também rico em fitoquímicos, em especial as isoflavonas, que tudo indica estarem implicados na luta contra o cancro devido aos seus efeitos antiestrogénicos.
Iogurte de soja
O iogurte de soja é um produto fermentado obtido a partir do leite de soja. Apresenta a mesma consistência que o iogurte feito a partir do leite de vaca, mas é muito mais saudável. Os sabores disponíveis são variados e vão desde o comum morango até sabores exóticos, como limão e côco, ou pêssego e goiaba.
Queijo de soja
É feito a partir do tofu, apresentando uma consistência similar ao queijo de origem animal e um sabor muito semelhante (que varia, desde o cheddar ao mozzarela, entre outros). Estes queijos são utilizados com frequência para substituir a utilização de queijo de origem animal em pratos como pizzas e lasanhas vegetarianas.
Gelados de soja
Existe uma vasta gama de gelados que são feitos a partir da soja – não a partir de produtos de origem animal. Os sabores são variados, mas os mais frequentes são de chocolate, baunilha e morango.
Tofu
O tofu é uma espécie de queijo de soja, cujo processo de obtenção é muito similar ao dos queijos fabricados a partir de leite. Tem pouco sabor, contudo absorve os sabores de outros alimentos e condimentos durante a sua confecção. Pode ser utilizado em sobremesas doces, como pudins, e também em confecções mais elaboradas, como fritos, assados, estufados e refogados. É muito nutritivo e pode usar-se em substituição da carne em quase todas as preparações. O tofu é um excelente alimento para usar como fonte proteica.
Seitan
O seitan é um alimento rico em proteínas, semelhante à carne em aspecto firme, textura e sabor. É preparado fervendo ou assando glúten de trigo temperado.
Salsichas e burgueres vegetarianos
São produtos também feitos a partir da soja ou do seitan, podendo conter misturas de algas ou cogumelos. Podem ser usados para comer no pão ou simplesmente para consumir em refeições principais com acompanhamento por cereais e/ou leguminosas. São excelentes alternativas às salsichas ou burgueres de carne.
Tempeh
O tempeh é um alimento fermentado a partir da soja. É de digestão fácil e é uma boa fonte de proteína, fibra e vitaminas.
Shoyu
Conhecido como “molho de soja”, é um molho feito a partir da fermentação de soja, contendo, por vezes, também trigo. Este molho pode ser usado em vários pratos como condimento.
Miso
Costuma ser feito com a soja, mas fica igualmente bom com qualquer outro tipo de feijão, incluindo ervilha, lentilha e grão-de-bico. O fermento utilizado é o koji, produzido a partir de um cereal, geralmente arroz, inoculado com o fungo Aspergillus oryzae. As misturas variam em qualidade e quantidade, produzindo diferentes tipos de miso: muito escuro e forte, ou vermelho clarinho bem suave, doce. Todos os tipos de miso são benéficos numa dieta.
Gelatina agar-agar
Esta gelatina é muito rica em sais minerais, é feita a partir de algas marinhas vermelhas e o sabor é neutro. Também pode ser usada como um substituto do ovo em determinadas receitas. É importante lembrar que, em super/hipermercados, encontra gelatina 100% vegetal (com vários sabores) – mas certifique-se sempre pelo rótulo que de facto a gelatina é exclusivamente de origem vegetal.
Quase todos estes “novos” alimentos estão, actualmente, a ser comercializados pelos principais super/hipermercados, sendo que, por exemplo, o consumo do leite de soja e dos iogurtes de soja se tornou já tão comum, que é muito fácil encontrar estes alimentos, de vários sabores e de várias marcas, em qualquer super/hipermercado do país. As lojas de produtos naturais e dietéticos também são uma boa opção para procurar alguns destes alimentos, eventualmente menos comuns, como é o caso do tempeh ou do miso.
Ao tornar-se vegetariano – e especialmente se se tornar vegano –, perceberá imediatamente que terá que passar a estar muito atento às informações sobre os ingredientes dos produtos que compra, lendo os rótulos. A princípio, pode parecer complicado ou trabalhoso, mas não só é mais seguro, para se certificar de que, por exemplo, as bolachas que está a comprar e que vai comer não têm leite ou ovos, como é também um hábito que se adquire, que fica instintivo e que o levará, ao fim de pouco tempo, a memorizar os alimentos dos quais já conhece os ingredientes e que são exclusivamente de origem vegetal – seguros para que a sua dieta vegetariana seja mantida.
Poderá também parecer-lhe, ou poderão dizer-lhe, que os produtos vegetarianos são muito caros ou que ser vegetariano é seguir uma dieta cara. No entanto, isso não é verdade, não só porque não precisa de estar sempre a comprar e consumir os produtos mais caros (como alguns tipos de cogumelos e de algas, por exemplo), como, além disso, ao deixar de comprar carne, peixe, ovos, leite e derivados, está a deixar de gastar dinheiro que, simplesmente, passará a gastar nas suas compras vegetarianas.
Alimento natural
As frutas e os cereais não eram apenas os alimentos mais úteis aos nossos antepassados, mas também os mais econômicos. Encontravam-se por toda parte, e quando não eram encontrados, cuidava-se, desde cedo, de cultivá-los.
Foi a civilização que veio alterar, e com grave dano para a humanidade, esse hábito milenar e precioso de só comermos alimentos naturais.
Fugimos da alimentação natural e pura para nos entregarmos ao regime industrializado de conseqüências muitas vezes lamentável para nosso organismo. Num clima quente como o nosso, o regime de frutas é uma necessidade. São as frutas que comemos, que depuram o organismo, aliviando o sangue de suas toxinas.
Nas frutas encontramos quase todos os elementos indispensáveis ao nosso completo desenvolvimento.
Os alimentos frescos numa alimentação racional têm curado mais organismos do que muitos outros processos de cura.
Conforme Dr. Paul Carton, as frutas são, para o homem, o alimento de primeira necessidade, termo que se usa para designar certa quantidade de outros produtos, mui freqüentemente malsãos, como a carne, o vinho, o açúcar, etc., e que não poderia aplicar-se, com maior propriedade, senão às frutas...
A mão agarradiça do homem, a forma da sua dentição, a conformação das suas unhas, a estrutura do seu aparelho digestivo como um conjunto, indicam, indiscutivelmente, que o homem era, em tempo primitivo, frutívoro...
As frutas têm sido os maravilhosos construtores do organismo humano... e seus alimentos mais úteis; e sem dúvida, a melhor saúde, o maior bem-estar, a mais importante soma de felicidade, só poderão ser alcançados pela humanidade mediante o retorno a uma alimentação mais natural, mais de acordo com a índole dos seus ancestrais, numa palavra, mais amplamente frutívora.
Nestes últimos anos, a maioria dos dietistas tem-se manifestado favoravelmente ao uso dos frutos e prestam justiça às suas qualidades organolépticas. Nos últimos cinqüenta anos, depois da vulgarização dos trabalhos de sábios, como Cuvier, Ovon, Dambenteou, chega-se à conclusão de que o homem é frutívoro, não só pela forma e disposição do seu sistema dentário, mas, também, pela constituição dos órgãos digestivos, e muitos afirmaram que é erro considerarmo-nos onívoros.
Estudos afirmam que os frutos são alimentos naturais do homem, mineralizantes por excelência, e é nesta fonte pura e não nos cadáveres que nos devemos apoiar para a reparação das nossas forças.
Neste alimento perfumado encontramos a vida, a alegria, pois ele é para nós o veículo apropriado, conforme a ordem estabelecida pela Natureza. Quando os frutos são bem digeridos, este modo de alimentação é o mais desintoxicante, atua como uma fonte alcalina, lava os rins e depura o sangue.
Os mestres mais autorizados da clínica e da dietética reconhecem que devido a pobreza de alguns frutos em substâncias albuminóides, esses constituem um meio poderoso de se combater o carnivorismo e o albuminismo de que tanto sofre a humanidade.
O sumo dos frutos representa reservas abundantes de hidrocarbonatos e de sais minerais; e os ácidos vegetais (ácidos cítrico, málico e tartárico) sofrem no organismo uma combustão que os transforma em gás carbônico, produzindo-se o carbonato de potássio, cuja importância desde há muito está reconhecida.
A celulose, por sua parte, desempenha um papel importante, pois, facilita mecanicamente o percurso nos intestinos, auxilia o peristaltismo, aumenta o volume do bolo fecal e facilita a sua marcha ao longo das vias que ele tem que percorrer.
É ainda nos frutos que se encontram as principais vitaminas, elementos imponderáveis, misteriosos, tão necessários à alimentação. Estes fatores acessórios, que se devem empregar na nutrição para reforçar a nossa reação de defesa, fazem classificar o seu sumo como um soro nutritivo, vivo e perfeitamente assimilável. Portanto, os frutos devem fazer parte integrante da nossa alimentação e ser servidos antes de qualquer outro prato, em vez de se ingerirem na sobremesa, quando já satisfeitas as necessidades da alimentação.
Sem dúvida, na fruta temos todos os princípios essenciais para atender as nossas necessidades vitais; ela nos dá carboidratos, proteínas, fibras, sais minerais, vitaminas, fermentos, água (como o princípio da vida) e elementos escoriáceos (celulose).
Com um regime exclusivamente frutívoro, o homem pode viver em bom estado de saúde, mas é indispensável individualizá-lo devidamente. É uma dieta altamente higiênica. Não obstante, temos de considerar que os nocivos hábitos alimentares adquiridos, a inquietante complexidade da vida atual, a importância desmedida que se concede à comida suculenta, quase impossibilita a prática desta dieta ideal. O aproximar-se, na medida do possível, de uma dieta de fruta, com os conselhos de um bom guia, só podem trazer esplêndidas vantagens.
As frutas sumarentas têm um marcado poder desintoxicante e contribuem notavelmente para eliminar as impurezas orgânicas ao exterior. Ajudam, portanto, a manter uma vida sã e ao mesmo tempo em que depuram, aumentam as defesas orgânicas. Corretamente indicadas criam condições excelentes para que atuem de modo mais benéfico vis medicatrix natural, propulsando o organismo para a saúde.
Fonte: Valor Nutricional das Frutas - MELO, B. ALMEIDA, M.S.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Não basta apenas não comer carnes...

Quando optei em parar de comer carnes, não foi por modinha, muito menos por dieta. Não comer mais carnes, hoje pra mim, representa uma filosofia de vida. Demorou para eu conseguir me libertar da carnificina, pois fui criada comendo todos os tipos de carnes.
Eu conseguia ficar uns tempos sem, depois voltava. Realmente o prato contendo o cadáver é atraente mesmo, nossa, que horror! Mas resolvi abolir as carnes de minha vida em respeito aos animais e sua dor. Claro, hoje estou mais madura e consciente, sabendo o que quero pra mim e continuar a comer carnes de seres tão sensíveis e indefesos, não é o que quero messssssmo...
Quando participava de um churrasco na casa de alguém conhecido, observava aquelas pessoas salivando em cima do cadáver assado, aquela euforia em cortar e degustar o pedaço do animal sacrificado, o culto ao cadáver, nossa muitas vezes participei... Mas convenhamos, é difícil ter consciência e parar de comer carnes. As carnes sempre foram o prato preferido pelos seres humanos e o pior de tudo, hoje é de fácil acesso.
Quando aboli as carnes totalmente e passei a comer somente vegetais, senti no início fraqueza, nervosismo e ansiedade. Eu tinha consciência que tudo que eu estava passando era consequência da minha desintoxicação e limpeza do meu organismo, abstinência total às carnes. Meu corpo foi se acostumando e hoje não posso nem sentir cheiro de carne, que me dá enjôos.
Como podemos ser tão egoístas, matar um animalzinho próximo de nossa genética, irmãozinho mesmo e comer sua carne para alimentar nosso corpo. Ora, ora, não me diga que precisamos de proteína animal e ferro. Proteínas podemos tirar dos grãos e o ferro de vegetais verdes, principalmente. Sei que muitos não conseguem se libertar das carnes, até tentam, outros só pensam, eu era assim e hoje graças a minha força de vontade e principalmente o respeito aos queridos animais, consegui me libertar. Tento conscientizar as pessoas sobre a importância em não comer carnes e os benefícios que isso traz, principalmente para os animais e para nosso corpo. Não basta apenas não comer carnes, temos que ter consciência do mal que causamos a outros seres pelo simples prazer em ingerir sua carne. (Patrícia Prado)
Deveríamos ser capazes de recusar-nos a viver se o preço da vida é a tortura de seres sensíveis. (Mahatma Gandhi)
O que é vegetarianismo?
Vegetarianismo é o regime alimentar segundo o qual nada que implique em sacrifício de vidas animais deva servir à alimentação. Assim, os vegetarianos não comem carne e seus derivados, mas podem incluir em seu regime, leite, lacticínios e ovos. O regime vegetariano não é, pois, exclusivamente vegetal e seu nome não se origina de alimentação vegetal e, sim, do latim vegetus que significa "forte", "vigoroso", "saudável". A dieta ideal de cada pessoa é única e varia segundo fatores de ordem físico-fisiológica (idade, sexo, clima, atividade, secreções endócrinas, superfície corporal), de acordo com seu modo de vida, objetivos, desenvolvimento, evolutivo etc.
Como vivem e morrem os animais
Boi
No Brasil, os bois são criados soltos. Provavelmente, essa forma de criação é menos terrível que a de países frios do Cone Sul e da Europa, onde os invernos matam o pasto e fazem com que os animais fiquem fechados em áreas apertadas, comendo só ração. Isso não quer dizer que seja o melhor dos mundos. Os animais muitas vezes passam fome, vivem cheios de parasitas e apanham copiosamente. “O manejo no Brasil é muito bruto”, diz o etólogo Mateus Paranhos da Costa, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Jaboticabal, especialista no assunto.
Não existe aqui no Brasil a produção de vitela - carne muito branca e macia de bezerros mantidos em jaulas superapertadas para evitar que se movimentem. Para acentuar a brancura da carne, os criadores não permitem que o bezerro coma grama ou grãos, só leite - a dieta tem que ser pobre em ferro e em outros nutrientes, forçando uma anemia no animal. Com isso, torna-se necessário o consumo de antibióticos, para diminuir o risco de infecções do animal desnutrido. “A vitela deveria ser proibida no mundo inteiro”, afirma o agrônomo e etólogo Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho, especialista em técnicas de manejo da Universidade Federal de Santa Catarina.
Para matar um boi, primeiro se dá um disparo na testa com uma pistola de ar comprimido. O tiro deixa o animal desacordado por alguns minutos. Ele então é erguido por uma argola na pata traseira e outro funcionário corta sua garganta. “O animal tem que ser sangrado vivo, para que o sangue seja bombeado para fora do corpo, evitando a proliferação de microorganismos”, diz Ari Ajzenstein, fiscal do Serviço de Inspeção Federal (SIF), que zela para que as regras de higiene e de bons tratos no abate sejam cumpridas.
Em 1997, a ativista de direitos dos animais americana Gail Eisnitz escreveu o bombástico livro Slaughterhouse (”Matadouro”, inédito no Brasil), no qual acusava os matadouros de sangrar muitos animais ainda conscientes. “Não vou dizer que isso não acontece no Brasil, mas não é freqüente”, afirma Mateus Paranhos.
O abate a marretadas está proibido no país, o que não quer dizer que não aconteça - já que quase 50% dos abates são clandestinos e, portanto, sem fiscalização. O problema da marretada é que não é fácil acertar o boi com o primeiro golpe. Muitas vezes, são necessários dezenas para desacordá-lo.
Galinhas
Essas quase sempre levam uma vida miserável. Vivem espremidas numa gaiola do tamanho delas. As luzes ficam acesas até 18 horas por dia - assim elas não dormem e comem mais (isso acontece principalmente com as que produzem ovos). Seus bicos são cortados para que não matem umas às outras e para evitar que elas escolham que parte da ração querem comer - caso contrário, ciscariam apenas os grãos de seu agrado e deixariam de lado alimentos que servem para que engordem rápido.
A morte é rápida. As galinhas ficam presas numa esteira rolante que passa sob um eletrodo. O choque desacorda a ave e, em seguida, uma lâmina corta seu pescoço. O esquema é industrial. Hoje, nos Estados Unidos, são abatidas, em um dia, tantas aves quanto a indústria levava um ano para matar em 1930. Nas granjas de ovos, pintinhos machos são sacrificados numa espécie de liquidificador gigante. Parece horrível, mas é a mais indolor das mortes descritas aqui.
Porcos
Outros azarados. Não têm espaço nem para deitar confortavelmente. “São confinados do nascimento ao abate”, diz Pinheiro Filho. As gestantes são forçadas a parir atadas a uma fivela, apertadas na baia. O abate é parecido com o de bovinos, com a diferença que o atordoamento é feito com um choque elétrico na cabeça e que o animal é jogado num tanque de água fervendo após o sangramento, para facilitar a retirada da pele. Gail Eisnitz afirma, em seu livro, que muitos porcos caem na água fervendo ainda vivos, mas isso provavelmente é incomum.
Patos e gansos
Os mais infelizes dos nossos alimentos provavelmente são os gansos e patos da França. O foie gras, um patê tradicional e sofisticado, é feito com o fígado inflamado das aves. Os produtores colocam um funil na boca delas e as entopem de comida por meses, fazendo com que o fígado trabalhe dobrado. Isso provoca uma inflamação e faz com que o órgão fique imenso, cheio de gordura. Ou seja, o patê, na prática, é uma doença. Há movimentos pedindo o banimento do produto. Não se produz foie gras no Brasil.
E o que fazer a respeito?
Há uma verdade inescapável: ao comermos carne, somos indiretamente responsáveis pela morte de seres que têm pai, mãe, sofrem, sentem medo. “Os vertebrados sentem dor”, diz Rita Paixão, fisiologista e bioeticista da Universidade Federal Fluminense. Isso é um fato e, se você pretende continuar comendo carne, é bom se acostumar com ele. Mas podemos ao menos minimizar o sofrimento, escolhendo comidas que impliquem em menos crueldade.
Dá para viver sem carne?
Dá. O vegetarianismo exige cuidados e conhecimentos de nutrição, mas com certeza pode-se ter uma dieta saudável sem carne. Aliás, o fato de exigir cuidados a faz mais saudável. Um vegetariano tende a prestar mais atenção no que come e nos efeitos disso sobre seu corpo. E isso, em si, já é um hábito salutar.
Muitos nutricionistas afirmam que as crianças não devem, de maneira nenhuma, ficar sem proteína animal, sob risco de terem o desenvolvimento cerebral prejudicado. Essa regra deve ser seguida a não ser que os pais saibam muito bem o que estão fazendo, conheçam as propriedades de cada alimento e - não menos importante - que a criança queira.
Os ovolactovegetarianos não têm problemas com proteínas porque os derivados de animais são tão protéicos quanto a carne. O perigo é que leite e ovos são pobres em minerais, especialmente ferro, que é fundamental para a saúde - ele é usado para construir a hemoglobina, uma molécula cuja função é carregar o oxigênio do pulmão para as células. Sem ferro, portanto, as células podem morrer. Isso é a anemia.
Ou seja, ovolactovegetarianos não podem basear sua dieta no leite, nos ovos e nos queijos, sob risco de ficarem sem nutrientes valiosos. É preciso comer muitos e variados vegetais, em especial soja, feijão, brócolis, couve, espinafre - todos ricos em ferro.
A quantidade é fundamental, porque o ferro dos vegetais é menos absorvido pelo corpo que o de origem animal. Uma boa dica é acompanhar as refeições com suco de laranja, já que a vitamina C ajuda na absorção do ferro. Outra fonte de ferro é a casca de grãos como o arroz e o trigo. Por isso, eles devem ser sempre integrais.
Denise Coutinho, responsável pela política nutricional do governo federal, adiantou à Super que está em estudo uma medida para tornar a fortificação com ferro obrigatória nas farinhas de trigo e de milho. A medida, que visa combater a desnutrição, vai acabar ajudando a vida dos vegetarianos.
Já para os vegans, a palavrinha mágica é “soja”. Se você não gosta desse grão ou é alérgico a ele, virar vegan vai ser bem mais penoso. A questão é a seguinte: suprir suas necessidades protéicas com carne é fácil. “Afinal, você é feito de carne”, diz Pedro de Felício, especialista em produtos de origem animal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Um bife tem a mesma composição que os músculos do seu corpo. As proteínas das quais ele é feito são, também, iguais às suas, feitas com os mesmos aminoácidos. Portanto, contêm tudo o que você precisa.
Proteínas vegetais são mais simples. Elas não contêm todos os componentes necessários. A soja, entre os vegetais, é o que tem as proteínas mais completas. Há outras fontes de proteína, como o feijão, mas, se você não come soja, vai precisar de grandes quantidades e de muita variedade de vegetais para juntar todos os aminoácidos de que precisa. “Desde que sigam essa regra, os vegans tendem a ter uma dieta até mais equilibrada que os ovolactovegetarianos, já que não ocupam lugar no estômago com ovos e leite, que são pobres em vários nutrientes”, diz o nutricionista vegan George Guimarães.
Uma questão para os vegans é a vitamina B12, que o corpo não produz e não existe em vegetais. A B12 é fabricada por bactérias e pode ser encontrada nos animais (que comem bactérias ao ciscar ou pastar). Mas suprir as necessidades de B12 é fácil: qualquer biscoito ou cereal com a palavra “fortificado” no rótulo contém a vitamina. Ela também é vendida em cápsulas.
O que é a carne?
A faca desce macia, cortando sem esforço o pedaço de picanha. Dourada e crocante nas bordas, tenra e úmida no centro. Você põe a carne na boca e mastiga devagar, sentindo o tempero, a maciez, a temperatura. O sumo que escorre dela enche a boca e, com ele, o sabor incomparável. Carne é bom.
Mas que tal assistir à mesma cena sob outra perspectiva? No prato jaz um pedaço de músculo, amputado da região pélvica de um animal bem maior que você. Com a faca, você serra os feixes musculares.
A seguir, coloca o tecido morto na boca e começa a dilacerá-lo com os dentes. As fibras musculares, células compridas - de até 4 centímetros - e resistentes, são picadas em pedaços. Na sua boca, a água (que ocupa até 75% da célula) se espalha, carregando organelas celulares e todas as vitaminas, os minerais e a abundante gordura que tornavam o músculo capaz de realizar suas funções, inclusive a de se contrair.
Sim, meu caro, por mais que você odeie pensar que a comida no seu prato tenha sido um animal um dia, você está comendo um cadáver.
Carne é tecido animal, em geral muscular. As fibras que a compõe são feixes de células musculares, enroladas umas nas outras. Em volta delas há uma cobertura de gordura, cuja função é lubrificar o músculo e permitir que ele relaxe e se contraia suavemente. Ou seja, não há carne sem gordura.
A diferença entre carne branca e vermelha é a quantidade de ferro no tecido - o mesmo mineral que dá cor ao sangue. As células de animais grandes, como o boi, são ricas de uma molécula chamada mioglobina, que contém ferro. Peixes e galinhas, por terem o corpo menor, não precisam de reservas tão grandes de nutrientes nas células e, por isso, têm menos mioglobina. Animais mais velhos têm carne mais vermelha - isso explica a brancura do frango industrializado, abatido antes dos dois meses, se comparado à galinha caipira. Essa última tem mais tempo para acumular mioglobina nas células.Números, números, números
Há no mundo 1,35 bilhão de bois e vacas. Criamos 930 milhões de porcos, 1,7 bilhão de ovelhas e cabras, 1,4 bilhão de patos, gansos e perus, 170 milhões de búfalos. Some todos eles e temos uma população de animais quase equivalente à humana dedicando sua vida a nos alimentar - involuntariamente, é claro. E isso porque ainda não incluímos na conta a população de frangos e galinhas abastecendo a Terra de ovos e carne branca: 14,85 bilhões.
Só no Brasil há 172 milhões de cabeças de gado bovino - uma para cada cabeça humana. Nosso rebanho bovino só é menor que o da Índia, onde é proibido matar vacas. Na média, um brasileiro come perto de 40 quilos de carne bovina por ano - ou seja, uma família de cinco pessoas devora uma vaca em 12 meses. Somos o quarto país do mundo onde mais se come carne bovina. Um brasileiro médio come também 32 quilos de frango e 11 quilos de porco todo ano.
Lançada a Campanha Segunda sem Carne

O secretário do verde e do meio ambiente de São Paulo, Eduardo Jorge, e a presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira, Marly Winckler, no lançamento da campanha
A Marquise do Parque Ibirapuera abrigou o lançamento da Campanha Segunda sem Carne no último final de semana, 03 e 04 de outubro. Exposições, palestras, degustações, oficinas para crianças e muita informação marcaram o início da campanha, que prosseguirá pela cidade com outras atividades.